quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RAQUEL LIBÓRIO

Eu não posso dizer que era amiga de Raquel. E acho até prepotência de dizer que era sua "colega", pois eu sou uma pintinha perto da experiência de Raquel. Eu sempre disse que sofri muito na Unirio, pois entrei com 17 anos, saindo do Ensino Médio de uma escola pública de Teresópolis, sem nunca ter subido num palco ou ter feito uma aula de artes cênicas. Estar na Unirio, fazendo o caminho inverso da maioria era tenso, ainda mais num ambiente cheio de ego e estrelismos, mas também eu nunca disse da sorte que eu tive de estar em contato, de ver e até participar de experiências, aulas e trabalhos com uma pessoa como a Raquel. Com certeza, a imaturidade e a insegurança não me deixavam perceber isso no momento. Tudo que eu fazia podia ser uma bosta, afinal eu queria muito e não sabia como... mas precisava ter a serenidade de aceitar aquele meu momento e aprender com o que eu estava fazendo...No final das contas, cresci pra caramba com aquele "sofrimento"... E que sofrimento era esse para o qual eu voltava todos os dias? Era sofrimento mesmo?
Ingressando agora no mestrado, eu encontrei a Raquel na aula do Charles. Conversamos um pouco, ela me perguntou sobre os colegas com quem matinha contato, perguntou sobre o meu projeto e me disse uma amiga minha entrou também para o mestrado, a Claudia Mele. Eu estou relembrando tudo isso agora, pois apesar de não ser superamiga de Raquel, eu nunca disse a ela que eu a admirava, que eu gostava de vê-la nas aulas de expressão corporal, que foi um prazer ter sido sua colega de turma e que aprendi muito com ela e com a nossa turma.
Se eu fôr sair por aí falando isso para todo mundo com quem convivi as pessoas vão achar que sou louca e que eu estou de falsidade, mas a gente aprende o tempo todo com todo mundo, né? A partida de Raquel me assusta. A gente sabe da morte, mas age como se ela estivesse lá longe e como se tudo ainda fosse dar tempo de fazer amanhã.
Eu convivo com uma pessoa doente já há bastante tempo - sei lá, desde que me entendo por gente - que esqueceu de viver há muitos anos se preocupando, temendo a morte e querendo, exigindo que todos em casa vivamos esse clima. É como se todos tivéssemos que ficar esperando o momento de sua morte e morrendo junto com ele, pois qualquer motivo de alegria seria desrespeito ao seu sofrimento. Nós vemos o quanto ele ainda poderia fazer, se divertir e como se entregou e exige que nos entreguemos junto. É uma luta diária que parece não ter fim. É viver, trabalhar, correr atrás,fazer mestrado, querer respirar vida e ter que voltar, pois quem ficou enquanto vc saiu precisa de revezamento, para respirar um pouco também, ou pelo menos conversar contigo que pôde sair e trazer vida da rua.
Não me entendam mal, eu não desejo a morte de ninguém, mas é inevitável pensar em como é esquisito pensar na Raquel que exalava vida partindo enquanto quem vive a morte fica. É quem a gente menos espera mesmo.
Eu escapei da morte este ano. Eu e minha família tivemos mais uma chance, mas será que estou aproveitando da melhor maneira?
Na verdade, não quero encher nenhum de vocês com esse "balanço", mas acho que quem escapou do que escapei esse ano fica meio piegas e também para não perder a oportunidade de fazer o que não fiz com Raquel em vida: MUITO OBRIGADA! Eu - que não tenho nenhum espetáculo de peso no currículo, que não tenho livros, capítulos, comunicações, nem artigos publicados, que nunca tive IC, que não recebi nenhum prêmio, que nunca viajei - mas que faço parte desta turma: Laura, Ligia, Caio, Matheus, Regilan, Claudia Cruz, Claudia Mele, Helena, Werlesson,Suzane, Mayra, Gabriela, André e Paula. Eu que pude ter aula com o Charles, com a Ana ... e putz!!! - a Tania Alice...Eu que posso dizer que fiz um trabalho com a Claudia Mele... eu que ainda não vi o mato todo que cresceu ao seu redor,Caio, mas sou sua fã... eu que fico querendo ir no ateliê da Regilan, eu que tenho medo da Paula!- Ela consegue ler tudo, gente!!!!, E a Suzane?- Essa menina dorme?. eu que converso pra caramba com Laura, que morro de rir da Ligia, que vou comprar marcadores coloridos indicados pela Claudia, que admiro a organização de Werlesson, que babo pela voz da Maíra, que fico com vontade de participar da pesquisa do Laboratório Madalena, que posso ficar fofocando na aula de Charles com André, que tb não é coincidência de estar aqui pela Rua Paraná de vez em quando, eu que me impressiono com a classe, polidez e força das palavras da Helena...Eu que no meio da confusão toda de natal, meus irmãos meio que questionando pra que serve esse negócio de arte, mas ligando a tv, um deles me chama para ver um filme "muito massa" e elogia os atores, quando eu posso dizer:"Esta atriz(Helena Varvaki) é minha colega de turma no mestrado". E aí fica todo mundo me olhando com cara de "o negócio é sério mesmo"... Eu que estou estudando o jongo de Angra! Eu que sou orientanda do Zeca, eu que estou no mestrado, eu que sou feliz, eu que quero fazer muita coisa....
OBRIGADA!! APRENDO COM VCS TODOS OS DIAS!! É UM PRAZER!!! MUITO OBRIGADA!!!
Feliz 2012!

Beijo grande,
Alissan

sábado, 17 de dezembro de 2011

amigo

Tenho receio das pessoas que não sentem saudade,
que se pregam tão desgarradas.
Me parece tudo muito fake.
Desconfio das pessoas que não choram
E que dizem nunca terem se descabelado ou se arrependido
Receitas de felicidade... ... ... desculpe: parece mentira....
Prefiro gente de carne e osso!
Não sei se eu sou de carne e osso, com mais osso ou mais carne,
Mas hei, psiu! Hei, eu mesma: Nem todo mundo é seu amigo!
E nem todo mundo que diz ser amigo é amigo...
E nem quem é amigo vai ser para sempre amigo...
Quem não é amigo às vezes está sendo bem mais amigo porque aí não tem perigo de se enganar.
É certo que me mostro demais, falo demais, confio demais
Mas de verdade: Sou que estou errada?
Ainda não aprendi a me calar.
Falo sobre a minha vida,
Falo sobre o meu trabalho, Choro e desabafo
No fundo acho isso tudo tão normal...
O que parece é que você tem seções de amigos:
Você pode contar umas coisas para uns que não pode contar para outros e vice-versa -
Amigos para assuntos de trabalho,
Amigos para situações de casamento,
Amigos para situações de confidências amorosas,
Amigos com quem você pode falar de sexo,
Amigos para papos-cabeça,
Amigos para sair na night etc etc etc etc etc
Assim eu tenho uma penca...
Amigo-amigo, que te leva pra casa, que te acolhe, que te aconselha de verdade com carinho, que sabe que você tá fazendo merda, mas entende que aquilo faz parte da tua experiência de vida sem te condenar, que longe ou perto, falando todo dia ou de vez em quando e quase nunca você sabe que está lá e ele sabe que você está aqui... Ahhhhh...minha gente...Espero que essa amizade perceba que estou falando dela.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

EU NÃO SOU NEGRA? NÃO SOU EU NEGRA?
SE A QUERELA ERA NÃO TER CABELOS DOURADOS E OS TAIS OLHOS CLAROS
AGORA É NÃO TER OS CABELOS CRESPOS E A PELE BEM ESCURA...
QUE ESPAÇO NOS É RESERVADO? OS TAIS PARDOS?
TER A FORMAÇÃO FAMILIAR PATERNA NEGRA EMBRANQUECIDA PELA MISTURA,
TER A FORMAÇÃO FAMILIAR MATERNA DE ORIGEM DESCONHECIDA, MAS INEGAVELMENTE BRANCA E RETIRANTE
A QUAL EXODO LHE CABEM ME CLASSIFICAR?
FORAM MEUS CABELOS ESCUROS E PELE "CAFÉ-COM-LEITE" QUE NÃO PERMITIRAM IDENTIFICAÇÃO
MAS FORAM MEUS CABELOS LONGOS E LISOS MOTIVO NAS COLEGUINHAS DE ADMIRAÇÃO
QUE POVO SOU EU DESTE MEIO TERMO IMPRENSADO?
A MINHA EURODESCENDENCIA NÃO ME CAUSA REPULSA, NEM ME COLOCA NO PAPEL DE ALGOZ- NÃO RENDEU À MINHA FAMÍLIA NORDESTINA OUTRA CONDIÇÃO QUE NÃO A DA ESCRAVIDÃO LATIFUNDIÁRIA
A MINHA AFRODESCENDENCIA, A MINHA CONDIÇÃO FENOTÍPICA PARDA, ESSA SIM FOI NEGADA POR EDUCAÇÃO, POR CORDIALIDADE E DELEGADA A MIM VELADAMENTE
COM LICENÇA, NÃO SOU MERCADORIA EM PRATELEIRA
NÃO ESTOU À VENDA, NEM TENHO PREÇO
ENTÃO PARA QUÊ ME ETIQUETAR?
SE MINHA APARÊNCIA LHE IMPORTA, CORDIAL RACISTA
BRANCA NÃO SERIA, NEM NEGARIA
NEGRA, ME ELOGIARIA
PARDA, SE ASSIM CONTEMPLASSE MINHAS VÁRIAS METADES
O QUE EU PREFIRO SER? AQUILO QUE INCOMODA VOCÊ!

sábado, 28 de maio de 2011

Aos enlouquecidos e queridos amigos de Garatucaia:
meus alunos do 8º ano 2011- E.M.P. Amélia A. Lage

Às vezes a gente chega a um lugar e acha que ali vai ser apenas mais um local de trabalho, mais algumas turmas que você vai dar aula e que em algum momento você ou eles vão embora, e que novas turmas ou novos locais de trabalho chegarão e um novo ciclo se iniciará. Bem, isso não deixaria de ser verdade a não ser pela palavra “apenas”. Despedir-me de vocês não está sendo nada fácil.
Eu sou professora há relativamente pouco tempo. E apesar de ser professora por opção, por escolha, em alguns momentos pensei se isso me bastaria enquanto artista. Como eu faria para não deixar a artista de lado se eu precisava dar aula em vários lugares, planejar aulas, pesquisar, avaliar trabalhos, preencher diários... Não iria sobrar tempo para a artista!!! Sendo professora de artes, relacionando meus conhecimentos, buscando outros, criando propostas, transformando-as com vocês, e acima de tudo vivenciando com vocês estas propostas, eu me dei conta que a docência em artes é uma docência artística e a busca que teorizei na minha formação, nos meus estudos eu estava sim colocando em prática. Com vocês, e só com vocês alunos, eu posso ser professora, pesquisadora, artista, atriz: uma pessoa pensante e pulsante. E ainda consegui o mais importante: AMIZADE!
Eu, pessoalmente, me sinto muito mal em entrar em uma sala de aula e sentir aquele clima hostil, em que alunos e professores não conseguem ter uma relação legal e que o aluno pensa que o professor está ali só para cobrá-lo e fazer da vida escolar dele um martírio. Isso me faz muito mal. Eu não quero ser uma “tia Cotinha” (Inclusive, estou pensando em transformá-la em personagem mesmo! Eu criei esta personagem no dia a dia com vocês).
Eu escolhi ser professora, e como ninguém em sã consciência escolhe a infelicidade, eu escolhi ser professora para ser feliz. E eu fui muito feliz com vocês. Eu amo imensamente vocês e espero que todas as nossas conversas e reflexões não sejam esquecidas. O mundo não precisa de “repetidores”, e sim de pessoas que pensem e criem. Não se contentem com a primeira imagem de nada! Como aquela imagem da ilusão de ótica, lembram? Olhem mais uma vez , e mais uma, e mais quantas vezes forem necessárias para descobrir outros pontos de vista de um mesmo assunto. Não façam o que dá, façam o melhor que puderem fazer!
Chegou mais uma etapa da minha vida e eu preciso vivê-la. Quando eu estava estudando para prestar vestibular para Artes Cênicas e sofria muitas críticas, coincidentemente eu ganhei –de um professor bem velhinho que me dava aulas de inglês de graça em sua casa nos fins de semana - um poema de autor desconhecido que me disse tudo que eu precisava ouvir naquele momento. Queria poder transcrevê-lo para vocês, mas ficou em Teresópolis, mas ele (o poema) dizia mais ou menos assim: que expor sentimentos é correr o risco de parecer ridículo, mas no final das contas quem não se arrisca fica preso à uma mesmice confortável e que só quem corre riscos é livre. Nessa nova etapa pode dar tudo errado, mas também pode dar tudo certo e conto com a torcida de vocês. Eu preciso correr o risco. Eu sinto esta necessidade, afinal concordo com o tal poeta: liberdade.
Não esqueçam desta professora louca, mais muito apaixonada por sua profissão e pela amizade que construímos! Somos amigos! Amigos não precisam se ver todos os dias para serem amigos! E para matar as saudades de maneira mais imediata tem e-mail, blog. Estou no Orkut e no facebook. A gente se esbarra por aí, queridos!

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Eu quero cantar não pela tua voz

Não é que eu queira ou pretenda ser egoísta, mas preciso me bastar

E você me deu uma boa deixa, companheira

Cada qual com seu caminho, cada qual com seus sonhos e desalinhos

E quem sabe um encontro para dar risadas e tomar um cafezinho

Tristeza às vezes me acomete, mas não me toma

É certo que não estou bem

É bem verdade que estou triste

Mas eu ESTOU e não SOU

O que eu sou são os meus sonhos, as minhas transformações, meu amor que não deixa a mente parar, embora o corpo esteja sedento por movimento

Eu quero dançar não no teu palco

O que não me impede de um da quere dividir o meu contigo

quinta-feira, 31 de março de 2011



Não me julgue. Você não pode. Respeite a minha dor .

Respeite os meus sonhos demolidos

Vão brotar outros, mas me deixa ter um tempo de pegar as palhas nas gramas do jardim e jogar as cascas pra lá Aquela casa era a minha fortaleza

Meu cheirinho de casa de mãe

A herança que eu mais queria herdar

Como forma de prolongar a minha mãe e uma história que é só nossa

Nossas bromélias, orquídeas, pimentas e alecrim

Diferentes samambaias por toda parte

Flor de maio e crista de galo

Couve, malva, rúcula, peixinho e almeirão

Meus tomatinhos cereja, salsa, cebolinha e manjericão

Chuchu!!!!!


Limão galego e o insistente pé de café

Ai... e as minhas amoras...

Meu infanto ipê-amarelo

Nossas dálias e as teimosas maria-sem-vergonha

Meu pau-brasil, meu pé de chachim

Erva-sidreira, capim limão, erva doce e pé de novalgina

Carqueja, colônia, espada de são jorge e vence-demanda

E o pica-pau que nos visitava todo dia

O lagarto tomando sol no verão

Até a coruja no buraco da parede da cozinha e o calango que me perseguia...

“Nós passemo dias feliz das nossas vida”