sábado, 28 de maio de 2011

Aos enlouquecidos e queridos amigos de Garatucaia:
meus alunos do 8º ano 2011- E.M.P. Amélia A. Lage

Às vezes a gente chega a um lugar e acha que ali vai ser apenas mais um local de trabalho, mais algumas turmas que você vai dar aula e que em algum momento você ou eles vão embora, e que novas turmas ou novos locais de trabalho chegarão e um novo ciclo se iniciará. Bem, isso não deixaria de ser verdade a não ser pela palavra “apenas”. Despedir-me de vocês não está sendo nada fácil.
Eu sou professora há relativamente pouco tempo. E apesar de ser professora por opção, por escolha, em alguns momentos pensei se isso me bastaria enquanto artista. Como eu faria para não deixar a artista de lado se eu precisava dar aula em vários lugares, planejar aulas, pesquisar, avaliar trabalhos, preencher diários... Não iria sobrar tempo para a artista!!! Sendo professora de artes, relacionando meus conhecimentos, buscando outros, criando propostas, transformando-as com vocês, e acima de tudo vivenciando com vocês estas propostas, eu me dei conta que a docência em artes é uma docência artística e a busca que teorizei na minha formação, nos meus estudos eu estava sim colocando em prática. Com vocês, e só com vocês alunos, eu posso ser professora, pesquisadora, artista, atriz: uma pessoa pensante e pulsante. E ainda consegui o mais importante: AMIZADE!
Eu, pessoalmente, me sinto muito mal em entrar em uma sala de aula e sentir aquele clima hostil, em que alunos e professores não conseguem ter uma relação legal e que o aluno pensa que o professor está ali só para cobrá-lo e fazer da vida escolar dele um martírio. Isso me faz muito mal. Eu não quero ser uma “tia Cotinha” (Inclusive, estou pensando em transformá-la em personagem mesmo! Eu criei esta personagem no dia a dia com vocês).
Eu escolhi ser professora, e como ninguém em sã consciência escolhe a infelicidade, eu escolhi ser professora para ser feliz. E eu fui muito feliz com vocês. Eu amo imensamente vocês e espero que todas as nossas conversas e reflexões não sejam esquecidas. O mundo não precisa de “repetidores”, e sim de pessoas que pensem e criem. Não se contentem com a primeira imagem de nada! Como aquela imagem da ilusão de ótica, lembram? Olhem mais uma vez , e mais uma, e mais quantas vezes forem necessárias para descobrir outros pontos de vista de um mesmo assunto. Não façam o que dá, façam o melhor que puderem fazer!
Chegou mais uma etapa da minha vida e eu preciso vivê-la. Quando eu estava estudando para prestar vestibular para Artes Cênicas e sofria muitas críticas, coincidentemente eu ganhei –de um professor bem velhinho que me dava aulas de inglês de graça em sua casa nos fins de semana - um poema de autor desconhecido que me disse tudo que eu precisava ouvir naquele momento. Queria poder transcrevê-lo para vocês, mas ficou em Teresópolis, mas ele (o poema) dizia mais ou menos assim: que expor sentimentos é correr o risco de parecer ridículo, mas no final das contas quem não se arrisca fica preso à uma mesmice confortável e que só quem corre riscos é livre. Nessa nova etapa pode dar tudo errado, mas também pode dar tudo certo e conto com a torcida de vocês. Eu preciso correr o risco. Eu sinto esta necessidade, afinal concordo com o tal poeta: liberdade.
Não esqueçam desta professora louca, mais muito apaixonada por sua profissão e pela amizade que construímos! Somos amigos! Amigos não precisam se ver todos os dias para serem amigos! E para matar as saudades de maneira mais imediata tem e-mail, blog. Estou no Orkut e no facebook. A gente se esbarra por aí, queridos!