terça-feira, 12 de março de 2013

Eu também


Quando me virei e vi você... eu sorri.
 A serenidade do teu sono,
 Teu corpo relaxado... todo torto!
Como se estivesse em casa...  na sua cama...
Como se estivesse sempre estado ali.
Levantei: o sol, o mar, a areia, as árvores, as plantas.
Paz. Silêncio. Mar.
Procurei o controle remoto, mas não era uma LCD.
Era a janela.
Voltei para cama.
Fechei, abri, fechei, abri, fechei, abri os olhos.
Você continuava lá. O sol também. O mar também.
E o pior: eu também.

domingo, 10 de março de 2013










O PRIMEIRO FIO A GENTE NUNCA ESQUECE




Mexendo na anarquia dos meus cabelos 
-que se constituem de uma base lisa e uma parte emaranhada de cachos indefinidos-
 encontrei um fio de cabelo branco.


Poderia ser a luz...

Um engano da visão...


Um castanho mais claro, queimado do sol.


TroqueI de ambiente e pus-me a analisar o fio com todo o cuidado.
Soltei o dito cujo e deixei que se misturasse novamente ao resto.


Devia ser um fio sujo de tinta branca.


E se fôr um fio branco?

 é apenas um, vai se misturar ao resto e ficar imperceptível.


Poderia tê-lo arrancado, mas não o fiz.


No carro, a caminho do trabalho, voltei à questão:


26 anos - cabelo branco - não é cedo?


Culpa da minha responsabilidade extremada!!!!


Aproximadamente 710 alunos, mais ou menos 2.000 avaliações por bimestre, contas, cartão de crédito, cheque especial, carro roubado, nervo ciático.


Aí eu olho para o lado: meu marido- 30 anos- um pouco calvo, mas nenhum fio branco.


Viu!!??!! Eu deveria ser como ele: mais anárquico, mais livre e não teria esse cabelo branco!


Poderia ter arrancado o tal fio, mas não fiz...


No trabalho, o olhar certeiro de duas alunas: - Professora, um fio de cabelo branco!!!!


- Deixa ele aí!


- Deixa a gente tirar!


- Não! Deixa ele aí! Ele é meu...


Será que eu havia me apegado a esse estranho indesejado?


Poderia tê-lo arrancado novamente, mas não o fiz.


Talvez para não esquecer que outros companheiros virão para sinalizar a urgência de viver...


Talvez para desenfrear o ritmo louco de envelhecimento da minha juventude, a que tenho me permitido.


E quando falo da juvetude, me refiro ao frescor dos meus sonhos e não simplesmente da minha aparência.


"Endurecer sempre, perder a ternura jamais" - Não era isso que dizia o camarada?

(Escrito há uns dois anos e deixado esquecido na pasta de rascunho do blog... Por que será que estava esquecido o tal cabelo branco? rsrsrs)






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Meu nome é Alissan.

Talvez não se encontre em nenhum livro de significados por ser um nome inventado,
mas quem é que disse que alguém já conseguiu decifrar para poder publicar?
Não me preocupo com isso

Eu quero é voar
Nem que me segure: eu vou voar!
 Eu não acho nada: nem que vai ser fácil, nem difícil, nem que vai ser rápido ou demorado
Só sei que acontece tudo ao mesmo tempo - e como o palhaço eu faço graça do meu atrapalho
E eu  não vou usar ninguém como pista de vôo
Mesmo que os meus me virem as costas,
 mesmo que os meus desapareçam...
 As responsabilidades necessárias que apareçam: eu as assumo
Que venham os problemas: eu os resolvo
Aqueles que comigo estão vão comigo para onde eu fôr

Você olha e diz que estou apenas andando,
mas andar é que nem voar aos olhos de quem pode realmente me enxergar
EU VOU VOAR, SIM!!!
alguns olhos não poderão ver, pois estão perdidos na própria  mesquinhez
EU VOU VOAR, SIM!!!!

E você talvez, nem venha a descobrir que alguém possa voar.



Um sorriso largo balbucia
Um sorriso terra,  água
terrágua
Cabelos soltos, livres, libertos para balançar enquanto anda
Nada de amarrar ou prender
Eles balançam com o ar
Minha estrutura é a pedreira de meu pai
Com a doçura sagaz de minha mãe
Eu sou água que escorre lânguida pela terra
Há quem me olhe e ache inofensiva
Eu banho, envolvo, refresco
Mas se num descuido  tripudiar a minha pretensa calmaria
É a minha leveza que te carrega e te joga contra as pedras
Quem é da água não tripudia dela
Sou pedra
Sou terra
Sou lama
Sou água

sábado, 9 de março de 2013



CARTA À MINHA FILHA
O que eu digo para minha filha quando ela me vê pagando as contas sozinha?
 Compro-lhe panelinhas?
Ensino a menina a ter esperança sem acreditar numa vida cor-de-rosa enquanto parcelo em 10 X fixas a casa dos sonhos da Barbie?
O que eu ensino a meu filho?  Pergunto-lhe quantas namoradinhas ele tem em sua turma de pré-escolar ?
Ensino-lhe a ser mais um machista ou o educo para um mundo que  não existe?
Meio termo? Qual mãe já conseguiu ser clara o suficiente para traduzir o meio termo?
De que adiantam tantas formulações se o que eu vivi não serve para ti, criança?
Qual mãe é calma o suficiente para entender que você só aprenderá com seus próprios erros?
Nunca me submeti, querida.
E por isso sempre me fudi.
Cresci brigando com o que significava ser “mulher”, mas como não tinha aprendido a fazer diferente,
Acabei caindo na mesma esparrela.
E, como sempre, a culpa continuava sendo minha porque a mulher tem que aprender a ser mulher!
Enquanto o homem não sabe nada do que é ser homem. 
Basta-lhe existir com seu falo apontado para todos os lados.
Cada uma vai ter que se fuder por conta própria e se resignar ao que a vida nos reserva
ou ter coragem a mais para peitar e ser apontada por muitos e admirada por algumas.
Cada uma que estiver realmente ou supostamente feliz com seu respectivo “amo”, desculpe, amor, poderá ler essa carta como amarga...
Não, eu não sou mais uma revoltada ou ressentida, meu amor.
A mamãe acredita sim na felicidade que você vai construir para você mesma, sozinha ou acompanhada,
 mas não acredita naquela que precisa  lhe ser dada de presente por alguém dentro de uma caixinha aveludada em formato de coração.
Estou apenas aprendendo o que as minhas mais velhas não tinham como me ensinar através de vãs filosofias.
 Estou encarando a vida de frente para poder criar a minha menina.
Porque se o mundo é substantivo masculino,
A vida é femininA.
 Seja bem vinda!