sábado, 9 de março de 2013



CARTA À MINHA FILHA
O que eu digo para minha filha quando ela me vê pagando as contas sozinha?
 Compro-lhe panelinhas?
Ensino a menina a ter esperança sem acreditar numa vida cor-de-rosa enquanto parcelo em 10 X fixas a casa dos sonhos da Barbie?
O que eu ensino a meu filho?  Pergunto-lhe quantas namoradinhas ele tem em sua turma de pré-escolar ?
Ensino-lhe a ser mais um machista ou o educo para um mundo que  não existe?
Meio termo? Qual mãe já conseguiu ser clara o suficiente para traduzir o meio termo?
De que adiantam tantas formulações se o que eu vivi não serve para ti, criança?
Qual mãe é calma o suficiente para entender que você só aprenderá com seus próprios erros?
Nunca me submeti, querida.
E por isso sempre me fudi.
Cresci brigando com o que significava ser “mulher”, mas como não tinha aprendido a fazer diferente,
Acabei caindo na mesma esparrela.
E, como sempre, a culpa continuava sendo minha porque a mulher tem que aprender a ser mulher!
Enquanto o homem não sabe nada do que é ser homem. 
Basta-lhe existir com seu falo apontado para todos os lados.
Cada uma vai ter que se fuder por conta própria e se resignar ao que a vida nos reserva
ou ter coragem a mais para peitar e ser apontada por muitos e admirada por algumas.
Cada uma que estiver realmente ou supostamente feliz com seu respectivo “amo”, desculpe, amor, poderá ler essa carta como amarga...
Não, eu não sou mais uma revoltada ou ressentida, meu amor.
A mamãe acredita sim na felicidade que você vai construir para você mesma, sozinha ou acompanhada,
 mas não acredita naquela que precisa  lhe ser dada de presente por alguém dentro de uma caixinha aveludada em formato de coração.
Estou apenas aprendendo o que as minhas mais velhas não tinham como me ensinar através de vãs filosofias.
 Estou encarando a vida de frente para poder criar a minha menina.
Porque se o mundo é substantivo masculino,
A vida é femininA.
 Seja bem vinda!

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