domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre ser patética


Eu nunca fui uma menina má,
Eu nunca quis ser uma menina má,
Eu nunca fingi ser uma menina má,
Eu nunca precisei ser uma menina má,
Eu nunca pareci ser uma menina má,
Sou na verdade o que as meninas más gostariam de ter sido mas fracassaram.
Sobrou-lhes serem más por falta de talento.
Eu nunca fui patética,
Eu nunca quis ser uma patética.
Eu nunca fingi ser patética,
Eu nunca precisei ser patética,
Eu nunca pareci patética.
Sou na verdade alvo dos patéticos que na falta de confiabilidade se aproximam para parecerem confiáveis por um tempo mais.
Sobrou-lhes serem patéticos por faltam de competência.
Eu nunca precisei pedir atenção,
mas  sempre estive na mira daqueles que precisaram de atenção e tiveram em mim a possibilidade de ver  e serem vistos.
Sobrou-lhes usar do meu talento, da minha confiabilidade, da minha competência, do meu brilho, e sim, da minha inocência.
Sim, inocência.
Eu  ainda não tinha conhecido nessa vida o tamanho da mesquinhez, da voracidade de bestas feras famintas por uma luz que não possuem, que não produzem, que não lhes pertence.
Passaram...Correram... Camuflaram-se...
Os destroços do caminho também passaram. Ficaram para trás.
Esse episódio foi usado para me mostrar o tamanho que eu tenho  e a grandeza do que está reservado para mim . É preciso também aprender a lidar com as miudezas quando se é grande.
Lamento, mas a luz que irradio não pode me ser tomada ou roubada.
Porque a luz que irradio vem dos meus Orixás e ofuscaram toda a miséria e pequenez do passado. 

O menino que vendia sonhos


Eu conheci um menino que vendia sonhos
Um menino crescido que contava histórias de fé com a astúcia de um mascate
 Eu olhava atônita para o menino de tênis furado
E não entendia porque quanto mais fazia menos ele tinha
Enxergava brilho no seu olhar ...
Mas como era cinza o mundo que apresentava.
Com meus lápis de cor eu quis colorir o seu mundo, mas com o passar do tempo
qual não foi a minha surpresa ao me olhar no espelho:
– cinza estava eu!
A cor que queria era a minha!
Minhas gargalhadas?  já não as tinha!
Foram roubadas pelas noites não dormidas...
O menino não vendia sonhos
Ele sugava sonhos e produzia pesadelos
E o brilho que eu via?
Eram os meus olhos que refletiam o que eu sentia.