Eu conheci um menino que vendia sonhos
Um menino crescido que contava histórias de fé com a astúcia
de um mascate
Eu olhava atônita
para o menino de tênis furado
E não entendia porque quanto mais fazia menos ele tinha
Enxergava brilho no seu olhar ...
Mas como era cinza o mundo que apresentava.
Com meus lápis de cor eu quis colorir o seu mundo, mas com o
passar do tempo
qual não foi a minha surpresa ao me olhar no espelho:
– cinza estava eu!
A cor que queria era a minha!
Minhas gargalhadas?
já não as tinha!
Foram roubadas pelas noites não dormidas...
O menino não vendia sonhos
Ele sugava sonhos e produzia pesadelos
E o brilho que eu via?
Eram os meus olhos que refletiam o que eu sentia.


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