terça-feira, 28 de maio de 2013


/Barassuayô/

E de repente aquele som me revirou toda por dentro
A -  ta -  ba  -  que
E mesmo sendo redundante, é preciso dizer:  Me preencheu  toda por dentro ...
A cada gargalhada, a cada palavra cantada
Eu sentia sua presença
Eu não conseguia me conter e ria compulsivamente...
Me virava de costas porque meu olhar provavelmente denunciaria aquele movimento interno
Eu ria, respirava, andava, sentava, levantava, mudava de lugar, tentava me conter, mas eu precisava rir...
E ria ria ria ria...
Susto, medo, reserva... O que era aquilo?
Que confiança era aquela para contar o que não deveria ser dito?
Corri para o banheiro e  nunca o tempo de um xixi pode ser ocupado por tantas elocubrações...
Voltei para o salão ... Oi, garçom. Enche meu copo que  eu não agüento mais, eu preciso sambar!
Quantos medos, receios, entraves, questionamentos permearam aquele primeiro copo.  Será?
Abrir a mente, ouvir os amigos, ouvir o som, sambar  e pisotear no miudinho tudo aquilo até perder o ar...
Perder o ar, o fôlego e as pernas bambearem...
Era eu me revirando toda para voltar.
Tinha um alien dentro de mim... tão quietinho que eu nem lembrava mais que ele estava lá.
Era eu me contorcendo internamente e quebrando o bloqueio
Hora de ir, hora de me jogar...
Diversão, porra!!!!!!!!  Eu estava completamente inebriada de mim!!!!!!!
Nada de despedidas... a noite continua...
Situação estranha... Esperas demais... faltas de entrega...
Se eu não viver não vou sofrer... O que eu estou fazendo aqui?
Fugi... e quis retornar ao drama, mas ele não era mais meu
 Muitas placas, muitos lugares, muitas ruas, muitos carros, buzinas, cones laranjas

Acordei completamente zonza na minha cama,
Rindo de tudo e de mim.
Não, nada daquilo foi um sonho...  
Mas talvez tenha sido melhor querer voltar
Pensamento fixo em  tudo que eu tinha feito naquele dia
E as análises de cada ponto dos comportamentos da noite
Eu? - Comportamento completamente reprovável  e inaceitável!
Mas bem que poderia ter sido ainda bem mais kkkkkkkkkkkk
Quem saiu de casa foi a medalha de honra ao mérito
A moça que aprendeu direitinho o esperável, o aceitável, o aplicável....o “hipocritável”
Eu sou aquilo que estava se contorcendo para sair
Agora sei que todas as vias estão abertas e nenhuma é impossível
Porque Exu me deu caminho! Laroyê!
Nunca quis ser exemplo. Por favor, não me faça de exemplo.
Que Exu continue abrindo os caminhos, me acompanhando e protegendo.
Não deixando aquela gargalhada sair nunca mais de dentro de mim.

Eu te amo, Exu!
Laroyê!

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