Eu não posso dizer que era amiga de Raquel. E acho até prepotência de dizer que era sua "colega", pois eu sou uma pintinha perto da experiência de Raquel. Eu sempre disse que sofri muito na Unirio, pois entrei com 17 anos, saindo do Ensino Médio de uma escola pública de Teresópolis, sem nunca ter subido num palco ou ter feito uma aula de artes cênicas. Estar na Unirio, fazendo o caminho inverso da maioria era tenso, ainda mais num ambiente cheio de ego e estrelismos, mas também eu nunca disse da sorte que eu tive de estar em contato, de ver e até participar de experiências, aulas e trabalhos com uma pessoa como a Raquel. Com certeza, a imaturidade e a insegurança não me deixavam perceber isso no momento. Tudo que eu fazia podia ser uma bosta, afinal eu queria muito e não sabia como... mas precisava ter a serenidade de aceitar aquele meu momento e aprender com o que eu estava fazendo...No final das contas, cresci pra caramba com aquele "sofrimento"... E que sofrimento era esse para o qual eu voltava todos os dias? Era sofrimento mesmo?
Ingressando agora no mestrado, eu encontrei a Raquel na aula do Charles. Conversamos um pouco, ela me perguntou sobre os colegas com quem matinha contato, perguntou sobre o meu projeto e me disse uma amiga minha entrou também para o mestrado, a Claudia Mele. Eu estou relembrando tudo isso agora, pois apesar de não ser superamiga de Raquel, eu nunca disse a ela que eu a admirava, que eu gostava de vê-la nas aulas de expressão corporal, que foi um prazer ter sido sua colega de turma e que aprendi muito com ela e com a nossa turma.
Se eu fôr sair por aí falando isso para todo mundo com quem convivi as pessoas vão achar que sou louca e que eu estou de falsidade, mas a gente aprende o tempo todo com todo mundo, né? A partida de Raquel me assusta. A gente sabe da morte, mas age como se ela estivesse lá longe e como se tudo ainda fosse dar tempo de fazer amanhã.
Eu convivo com uma pessoa doente já há bastante tempo - sei lá, desde que me entendo por gente - que esqueceu de viver há muitos anos se preocupando, temendo a morte e querendo, exigindo que todos em casa vivamos esse clima. É como se todos tivéssemos que ficar esperando o momento de sua morte e morrendo junto com ele, pois qualquer motivo de alegria seria desrespeito ao seu sofrimento. Nós vemos o quanto ele ainda poderia fazer, se divertir e como se entregou e exige que nos entreguemos junto. É uma luta diária que parece não ter fim. É viver, trabalhar, correr atrás,fazer mestrado, querer respirar vida e ter que voltar, pois quem ficou enquanto vc saiu precisa de revezamento, para respirar um pouco também, ou pelo menos conversar contigo que pôde sair e trazer vida da rua.
Não me entendam mal, eu não desejo a morte de ninguém, mas é inevitável pensar em como é esquisito pensar na Raquel que exalava vida partindo enquanto quem vive a morte fica. É quem a gente menos espera mesmo.
Eu escapei da morte este ano. Eu e minha família tivemos mais uma chance, mas será que estou aproveitando da melhor maneira?
Na verdade, não quero encher nenhum de vocês com esse "balanço", mas acho que quem escapou do que escapei esse ano fica meio piegas e também para não perder a oportunidade de fazer o que não fiz com Raquel em vida: MUITO OBRIGADA! Eu - que não tenho nenhum espetáculo de peso no currículo, que não tenho livros, capítulos, comunicações, nem artigos publicados, que nunca tive IC, que não recebi nenhum prêmio, que nunca viajei - mas que faço parte desta turma: Laura, Ligia, Caio, Matheus, Regilan, Claudia Cruz, Claudia Mele, Helena, Werlesson,Suzane, Mayra, Gabriela, André e Paula. Eu que pude ter aula com o Charles, com a Ana ... e putz!!! - a Tania Alice...Eu que posso dizer que fiz um trabalho com a Claudia Mele... eu que ainda não vi o mato todo que cresceu ao seu redor,Caio, mas sou sua fã... eu que fico querendo ir no ateliê da Regilan, eu que tenho medo da Paula!- Ela consegue ler tudo, gente!!!!, E a Suzane?- Essa menina dorme?. eu que converso pra caramba com Laura, que morro de rir da Ligia, que vou comprar marcadores coloridos indicados pela Claudia, que admiro a organização de Werlesson, que babo pela voz da Maíra, que fico com vontade de participar da pesquisa do Laboratório Madalena, que posso ficar fofocando na aula de Charles com André, que tb não é coincidência de estar aqui pela Rua Paraná de vez em quando, eu que me impressiono com a classe, polidez e força das palavras da Helena...Eu que no meio da confusão toda de natal, meus irmãos meio que questionando pra que serve esse negócio de arte, mas ligando a tv, um deles me chama para ver um filme "muito massa" e elogia os atores, quando eu posso dizer:"Esta atriz(Helena Varvaki) é minha colega de turma no mestrado". E aí fica todo mundo me olhando com cara de "o negócio é sério mesmo"... Eu que estou estudando o jongo de Angra! Eu que sou orientanda do Zeca, eu que estou no mestrado, eu que sou feliz, eu que quero fazer muita coisa....
OBRIGADA!! APRENDO COM VCS TODOS OS DIAS!! É UM PRAZER!!! MUITO OBRIGADA!!!
Feliz 2012!
Beijo grande,
Alissan
Ingressando agora no mestrado, eu encontrei a Raquel na aula do Charles. Conversamos um pouco, ela me perguntou sobre os colegas com quem matinha contato, perguntou sobre o meu projeto e me disse uma amiga minha entrou também para o mestrado, a Claudia Mele. Eu estou relembrando tudo isso agora, pois apesar de não ser superamiga de Raquel, eu nunca disse a ela que eu a admirava, que eu gostava de vê-la nas aulas de expressão corporal, que foi um prazer ter sido sua colega de turma e que aprendi muito com ela e com a nossa turma.
Se eu fôr sair por aí falando isso para todo mundo com quem convivi as pessoas vão achar que sou louca e que eu estou de falsidade, mas a gente aprende o tempo todo com todo mundo, né? A partida de Raquel me assusta. A gente sabe da morte, mas age como se ela estivesse lá longe e como se tudo ainda fosse dar tempo de fazer amanhã.
Eu convivo com uma pessoa doente já há bastante tempo - sei lá, desde que me entendo por gente - que esqueceu de viver há muitos anos se preocupando, temendo a morte e querendo, exigindo que todos em casa vivamos esse clima. É como se todos tivéssemos que ficar esperando o momento de sua morte e morrendo junto com ele, pois qualquer motivo de alegria seria desrespeito ao seu sofrimento. Nós vemos o quanto ele ainda poderia fazer, se divertir e como se entregou e exige que nos entreguemos junto. É uma luta diária que parece não ter fim. É viver, trabalhar, correr atrás,fazer mestrado, querer respirar vida e ter que voltar, pois quem ficou enquanto vc saiu precisa de revezamento, para respirar um pouco também, ou pelo menos conversar contigo que pôde sair e trazer vida da rua.
Não me entendam mal, eu não desejo a morte de ninguém, mas é inevitável pensar em como é esquisito pensar na Raquel que exalava vida partindo enquanto quem vive a morte fica. É quem a gente menos espera mesmo.
Eu escapei da morte este ano. Eu e minha família tivemos mais uma chance, mas será que estou aproveitando da melhor maneira?
Na verdade, não quero encher nenhum de vocês com esse "balanço", mas acho que quem escapou do que escapei esse ano fica meio piegas e também para não perder a oportunidade de fazer o que não fiz com Raquel em vida: MUITO OBRIGADA! Eu - que não tenho nenhum espetáculo de peso no currículo, que não tenho livros, capítulos, comunicações, nem artigos publicados, que nunca tive IC, que não recebi nenhum prêmio, que nunca viajei - mas que faço parte desta turma: Laura, Ligia, Caio, Matheus, Regilan, Claudia Cruz, Claudia Mele, Helena, Werlesson,Suzane, Mayra, Gabriela, André e Paula. Eu que pude ter aula com o Charles, com a Ana ... e putz!!! - a Tania Alice...Eu que posso dizer que fiz um trabalho com a Claudia Mele... eu que ainda não vi o mato todo que cresceu ao seu redor,Caio, mas sou sua fã... eu que fico querendo ir no ateliê da Regilan, eu que tenho medo da Paula!- Ela consegue ler tudo, gente!!!!, E a Suzane?- Essa menina dorme?. eu que converso pra caramba com Laura, que morro de rir da Ligia, que vou comprar marcadores coloridos indicados pela Claudia, que admiro a organização de Werlesson, que babo pela voz da Maíra, que fico com vontade de participar da pesquisa do Laboratório Madalena, que posso ficar fofocando na aula de Charles com André, que tb não é coincidência de estar aqui pela Rua Paraná de vez em quando, eu que me impressiono com a classe, polidez e força das palavras da Helena...Eu que no meio da confusão toda de natal, meus irmãos meio que questionando pra que serve esse negócio de arte, mas ligando a tv, um deles me chama para ver um filme "muito massa" e elogia os atores, quando eu posso dizer:"Esta atriz(Helena Varvaki) é minha colega de turma no mestrado". E aí fica todo mundo me olhando com cara de "o negócio é sério mesmo"... Eu que estou estudando o jongo de Angra! Eu que sou orientanda do Zeca, eu que estou no mestrado, eu que sou feliz, eu que quero fazer muita coisa....
OBRIGADA!! APRENDO COM VCS TODOS OS DIAS!! É UM PRAZER!!! MUITO OBRIGADA!!!
Feliz 2012!
Beijo grande,
Alissan

Alissan, tô com saudades. Te adicionei no face.Me aceita,hein!? Um 2012 espetacular prá você e todos os que ama. beijo
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