domingo, 10 de março de 2013










O PRIMEIRO FIO A GENTE NUNCA ESQUECE




Mexendo na anarquia dos meus cabelos 
-que se constituem de uma base lisa e uma parte emaranhada de cachos indefinidos-
 encontrei um fio de cabelo branco.


Poderia ser a luz...

Um engano da visão...


Um castanho mais claro, queimado do sol.


TroqueI de ambiente e pus-me a analisar o fio com todo o cuidado.
Soltei o dito cujo e deixei que se misturasse novamente ao resto.


Devia ser um fio sujo de tinta branca.


E se fôr um fio branco?

 é apenas um, vai se misturar ao resto e ficar imperceptível.


Poderia tê-lo arrancado, mas não o fiz.


No carro, a caminho do trabalho, voltei à questão:


26 anos - cabelo branco - não é cedo?


Culpa da minha responsabilidade extremada!!!!


Aproximadamente 710 alunos, mais ou menos 2.000 avaliações por bimestre, contas, cartão de crédito, cheque especial, carro roubado, nervo ciático.


Aí eu olho para o lado: meu marido- 30 anos- um pouco calvo, mas nenhum fio branco.


Viu!!??!! Eu deveria ser como ele: mais anárquico, mais livre e não teria esse cabelo branco!


Poderia ter arrancado o tal fio, mas não fiz...


No trabalho, o olhar certeiro de duas alunas: - Professora, um fio de cabelo branco!!!!


- Deixa ele aí!


- Deixa a gente tirar!


- Não! Deixa ele aí! Ele é meu...


Será que eu havia me apegado a esse estranho indesejado?


Poderia tê-lo arrancado novamente, mas não o fiz.


Talvez para não esquecer que outros companheiros virão para sinalizar a urgência de viver...


Talvez para desenfrear o ritmo louco de envelhecimento da minha juventude, a que tenho me permitido.


E quando falo da juvetude, me refiro ao frescor dos meus sonhos e não simplesmente da minha aparência.


"Endurecer sempre, perder a ternura jamais" - Não era isso que dizia o camarada?

(Escrito há uns dois anos e deixado esquecido na pasta de rascunho do blog... Por que será que estava esquecido o tal cabelo branco? rsrsrs)





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